sexta-feira, 12 de março de 2010

"O Barein será um duro desafio. Mas será inesquecível"




Às vésperas de sua estréia como piloto titular de Fórmula 1, Lucas Di Grassi diz que primeiro Grande Prêmio da temporada trará grande aprendizado


O fim de semana marca o início de uma jornada planejada desde o segundo semestre do ano passado para o brasileiro Lucas Di Grassi (Clear, Eurobike, Schioppa, Locaweb) e para a Virgin Racing. Ambos viverão no Grande Prêmio do Barein um momento histórico em suas biografias: a estréia na principal categoria do automobilismo mundial.

"Estou muito empolgado em estar aqui, pronto para o nosso GP de estréia. E por ser também a minha primeira corrida na Fórmula 1, isso faz deste final de semana o ponto alto da minha carreira até agora", declarou Di Grassi. "Tenho que agradecer a todos na equipe pelo trabalho duro e pela determinação que temos visto, especialmente nas últimas semanas durante os testes da pré-temporada. O Barein será um desafio bastante duro, com toda certeza. Mas também será inesquecível", disse.

Mas, como tem feito nos últimos meses, Lucas frisou que este ano - e, claro, a primeira corrida - serão de aprendizado para piloto e equipe. "Não é fácil chegar e competir com times que estão na Fórmula 1 há cinco, 15, 30 anos. Até agora temos feito um bom trabalho, mas estamos no início de tudo e vamos aprender como tirar o máximo do carro em condições normais, que é em um final de semana de corrida, e com temperaturas bem mais altas do que as praticadas durante os testes na Europa", afirmou.

"Sem dúvida, estou empolgado e preparado. Mas também estou ansioso para andar um GP inteiro. Nossos testes têm sido interrompidos pelo clima ruim e por alguns problemas iniciais no carro, que estamos resolvendo aos poucos. O importante é que a equipe parece estar progredindo, e eu também vivo um momento novo, no qual estou realmente mergulhado no mundo da F1. Já cresci muito nos treinos em termos de conhecimento sobre o carro e sobre a F1. E acho que durante o ano vou me fortalecer ainda mais. Este aspecto da F1 é fascinante", disse o 30º representante brasileiro na história da categoria.

O Grande Prêmio do Barein terá os treinos livres transmitidos pelo canal SporTV (por assinatura); o treino classificatório de definição do grid de largada e a corrida que abre o campeonato 2010 terão transmissão ao vivo da TV Globo.

Confira os horários para a etapa de abertura da temporada (horário de Brasília):
SEXTA-FEIRA (12/03)
4h00 - 5h30: 1º treino livre
8h00 - 9h30: 2º treino livre

SÁBADO (13/03)
5h00 - 6h00: 3º treino livre
8h00 - 9h00: treino classificatório

DOMINGO (14/03)
9h00 - Largada, 49 voltas

Visite o site da Virgin Racing*: www.virginracing.com
*Para garantir o acesso às imagens, basta clicar no link "media", no canto inferior direito da página, e fazer o cadastro. Você receberá em seu e-mail um login e senha para conferir também as fotos do carro e dos pilotos




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domingo, 31 de janeiro de 2010

Os motores em 2010

Fórmula 1 2010

Motores para 2010

A maior mudança para a temporada 2010 da Fórmula 1 é, sem dúvidas, o fim do reabastecimento, após 16 anos ininterruptos na categoria (desde a temporada 1994). Isto significa o fim das táticas de combustível, já que todos os carros terão de largar com carga máxima, e também do aumento da capacidade dos tanques. Ou seja, o consumo será um fator-chave em 2010, nem tanto o desempenho. Então, atendendo a pedidos de alguns internautas, principalmente o Carlos RM, leitor assíduo do Voando Baixo, resolvi fazer um post mais técnico, com uma análise sobre os motores. Até agora, quatro fornecedores estão certos na próxima temporada da F-1: Ferrari, Mercedes, Renault e Cosworth.

Para fazer uma boa análise sobre esta questão, peguei os dados de consumo de combustível da temporada passada, compilados pelo ótimo blog inglês F-1 Numbers. Antes disso, porém, vale lembrar que o desenvolvimento dos motores foi congelado no fim de 2007 pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), com alterações permitidas apenas em termos de confiabilidade. Antes da temporada 2009, no entanto, a entidade permitiu à Renault que atualizasse alguns componentes, já que seu propulsor encontrava-se muito defasado. No início de 2010, porém, a FIA não permitiu alterações. Agora, a diferença entre o motor mais forte (Mercedes, com 755cv) e o mais fraco (o Toyota) era de apenas 2,5% (18cv ou 0s3 por volta).

Para 2010, no entanto, o desempenho dos motores não será tão essencial quanto o consumo. Quanto menor for o gasto de combustível, menor será o tanque de gasolina e, consequentemente, o peso dos carros na largada. Além disso, poderá dar às equipes uma boa margem para trabalhar com as misturas em casos de disputas mais apertadas ou para tentar aumentar uma vantagem. A única coisa que eu lamento é a manutenção da obrigatoriedade do uso de dois tipos de pneus nas corridas. Gostaria de ver um carro tentar completar um GP sem parar nos boxes, como acontecia até a década de 80, com a volta dos três compostos de borracha (A – duro, B – médio e C – macio), dependendo do que as equipes gostariam de fazer nas provas.

Gráfico 1

Com os dados dos motores, chegamos à conclusão de que o mais econômico é o da Renault, como você vê nográfico acima. O propulsor francês gasta 0,05 Kg/volta a menos que o Mercedes, que tem a mesma vantagem sobre o Ferrari (0,10 Kg/volta a menos que o Renault). Ou seja, com estas informações, entendemos a preocupação da equipe italiana quanto ao gasto de gasolina. Em um stint (trecho) padrão de 23 voltas, por exemplo, o motor Mercedes precisaria parar uma volta antes do Renault e o Ferrari, duas (ver gráfico abaixo). Se considerarmos que a RBR continuará com o mesmo bom desempenho do fim de 2009, a equipe austríaca tem tudo para sair na frente em 2010.

Gráfico 2

Um detalhe: ainda não temos como saber como o motor Cosworth – que equipará Williams, Campos, Virgin, Lotus e USF1 – reagirá em termos de consumo. A tradicional fábrica inglesa trabalhou seu propulsor para 2010 em cima do bloco do V8 usado na temporada 2006 da Fórmula 1. Além da defasagem, a empresa precisava trabalhar em reduzir o peso (na época um dos piores neste quesito da categoria) e melhorar o desempenho. Como o projeto não está congelado, a Cosworth teria uma vantagem em relação às demais. Mas só saberemos mesmo o efeito após vermos os primeiros resultados da Williams, principalmente nos trechos mais longos, nos testes coletivos em Valência.

É bom lembrar também que o consumo do ano passado pode ser melhorado mais na eletrônica do que na mecânica. Portanto, o que era beberrão em 2009 pode não sê-lo em 2010, ou ser bem menos. Mas ela também tem limitações, já que a centralina (gerenciamento de ignição e alimentação) é unificada. Pode-se conseguir ganhos ao diminuir o atrito dos pistões, através do uso de lubrificantes mais eficientes. Outro ponto importante é a relação peso/potência. Se um carro – citando números hipotéticos, para facilitar o entendimento – pesa 800 kg e tem 400 cv, ele tem a mesma relação de outro com 600 kg e 300 cv: 2 kg/cv. Assim, ao menos em teoria, ambos teriam a mesma aceleração (é claro que ela vai depender também de detalhes como a capacidade de tração e relações, entre outros). Mas a relação é o ítem essencial.

Para encerrar, vale lembrar que a regra do limite de oito motores na temporada continua a valer. Com 19 provas, eles terão de durar pouco mais de duas corridas cada ou cerca de 1.500 quilômetros. Em caso do uso do nono propulsor, o piloto perde dez posições no grid em cada corrida. Outro detalhe: é muito mais fácil para os engenheiros aumentarem a potência dos motores em vez da melhoria do consumo ou aumento da durabilidade. O aumento do peso, por causa do combustível, também implica na melhoria do aquecimento de freio e pneus, mas pode sobrecarregar a caixa de câmbio dos carros. Por isso, estou ansioso para o início dos testes coletivos. Muitas das nossas perguntas poderão ser respondidas nesta ocasião.


por Rafael Lopes

Reação vermelha

Novo carro da Ferrari, o F10

7 – Felipe Massa (BRA)
8 – Fernando Alonso (ESP)

Assim como no ano passado, a Ferrari foi a primeira equipe a apresentar seu carro para a temporada 2010. Neste ano, os lançamentos estão sendo realizados mais tarde, por causa da proibição de testes até fevereiro. Ou seja, teremos uma enxurrada de novidades nas próximas duas semanas da categoria, principalmente com as atividades no circuito Ricardo Tormo, em Valência, a partir do dia 1º. Sobre a equipe italiana, é clara a ruptura com os conceitos do F60, de 2009. Muita coisa mudou para tentar devolver o time à disputa pelo título.

A nova Ferrari F10 tem traços muito parecidos com o RB5, modelo projetado por Adrian Newey na temporada passada para a RBR, principalmente na parte frontal. As duas partes mais altas, apelidadas de “chifres”, presentes na carenagem na parte entre as duas rodas dianteiras foram uma marca registrada do carro da equipe austríaca em 2009. Além disso, o bico está um pouco mais alto e fino. Nada mais natural, já que o RB5 sempre foi apontado pelos especialistas das equipes como o melhor em termos aerodinâmicos do ano passado.

O fim do reabastecimento nesta temporada também contribuiu para mudanças na parte traseira do carro. Com um tanque de combustível muito maior do que o usado até 2009, esta área teve de ser aumentada e ficou robusta. As laterais ficaram mais altas e a tampa do motor também cresceu. A distância entreeixos aumentou quase 15 centímetros por causa do novo regulamento. De acordo com a Bridgestone, os pneus usados no lançamento do F10 já são os mais estreitos que serão utilizados em 2010 na F-1.

Visão frontal do novo carro da Ferrari, o F10

No entanto, apesar do aumento do tanque, a Ferrari conseguiu manter linhas elegantes na parte traseira de seu carro. Mas só poderemos ver algumas soluções nos primeiros testes. A equipe italiana não deixou que o novo difusor duplo (em seu último ano) do time fosse fotografado, para evitar cópias de adversários. Outra diferença em relação a 2009 é que o modelo não terá o Sistema de Recuperação de Energia Cinética (Kers), após o acordo entre todas as equipes que disputarão o Mundial nesta temporada, para reduzir custos.

Mas nem tudo começou bem para a equipe. O shakedown do carro, que seria realizado em Fiorano, teve de ser cancelado por causa das péssimas condições do tempo. A temperatura era muito baixa e o asfalto estava coberto por gelo. A primeira atividade para valer do F10 será nos testes de Valência, que começam no dia 1º de fevereiro. Felipe Massa e Fernando Alonso estarão ao volante do modelo. Será a primeira oportunidade para avaliar o desempenho das equipes para a temporada 2010. Se a Ferrari conseguir dar um bom carro aos dois pilotos, será forte candidata aos títulos de pilotos e construtores deste ano.

por Rafael Lopes