Tóquio (Japão) - Os decepcionantes resultados da Honda na pré-temporada da Fórmula 1 não preocupam o chefe-de-equipe Ross Brawn. O diretor que marcou época à frente da Ferrari permanece convencido que o novo carro da escuderia japonesa, o RA108, a colocará em um bom patamar, no intuito de vencer corridas a partir da temporada 2009.
Durante todos os testes coletivos, tanto Jenson Button quanto Rubens Barrichello não conseguiram tirar a Honda das últimas posições, ameaçando as expectativas de apagar o péssimo Mundial passado, em que a equipe terminou com apenas oito pontos. Contudo, Brawn acredita que a real forma da equipe não é a apresentada até aqui.
“Não acho que o que estamos vendo ou veremos na pista, no começo da temporada ou nos próximos meses, seja na verdade o potencial de um time”, declarou durante a festa da divisão esportiva da Honda, em Tóquio. “Acho que temos um potencial muito forte”.
Desse modo, Brawn se mostra confiante em que a equipe possa brigar por vitórias e até pelo campeonato a partir do ano que vem, quando serão introduzidas novas tecnologias como o sistema de recuperação de energia cinética (KERS, na sigla em inglês), que visa ao reaproveitamento de energia na forma de calor para mover o carro.
“O que é muito importante é 2009, porque teremos novas regras. E isto dará a Honda uma grande oportunidade de começar como uma folha de papel em branco”, disse, acreditando que o novo sistema pode diminuir a vantagem de Ferrari e McLaren sobre as demais. “A dificuldade durante cada temporada é que, se você tem um ano ruim, então terá dois para recuperar o nível, porque todas as outras equipes vão ficando mais longe”.
“Mas, em 2009, todos começarão com as novas regras, e isto será uma grande oportunidade para nos tornarmos competitivos. Estou considerando o nosso programa dos nossos próximos três anos – consolidação, força e planejamento para o futuro. Estou observando um plano de três anos para vencer corridas e campeonatos”, revelou um otimista Brawn.
Voltando a comentar o desempenho do RA108, o chefe da Honda garantiu que o novo pacote aerodinâmico, programado para estrear nos testes de Jerez de la Frontera, daqui a duas semanas, oferecerão mais velocidade ao carro. “Teremos alguns novos itens em Barcelona (entre 25 e 27 de fevereiro), mas o pacote principal será introduzido em Jerez. E isto deve resultar em um razoável passo antes do início da temporada (em 16 de março, no Grande Prêmio da Austrália”.
“Agora estamos começando a entender o lado mecânico do carro, temos algumas idéias sobre como podemos melhorar isto nos próximos meses. Então, acho que a performance está normal, nada especial neste momento, mas há muito potencial durante a temporada”, finalizou.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Otimista, Brawn acredita que Honda brigará por vitórias em 2009
Bom desempenho em testes não ilude diretor da Williams
Barcelona (Espanha) - Com Kazuki Nakajima na ponta nesta quinta-feira, a Williams voltou a ditar o ritmo nos treinamentos da pré-temporada da Fórmula 1, desta vez em Barcelona. Apesar do bom rendimento, o diretor técnico da equipe, Sam Michael, continua reticente ao preferir não revelar previsões para o decorrer da temporada.
A partir da má fase da BMW/Sauber e das incógnitas que pairam sobre a Renault, o novo FW30 parece colocar a Williams no patamar de melhor emergente da categoria, logo atrás das favoritas Ferrari e McLaren. Contudo, Michael é cauteloso acerca das possibilidades de sua escuderia, ainda que admita estar feliz com o desempenho apresentado até aqui.
“A vitalidade retornou para todos (na Williams), sabendo que deixamos 2006 para trás. E 2008 se trata de realizar um novo passo à frente de novo. Há uma boa sensação no time, mas nada de complacência. Sabemos onde queremos estar e queremos competir adequadamente.”, disse, em entrevista ao site Autosport. A temporada de 2006, a que se refere o diretor, marcou o primeiro ano da Williams desde o fim da parceria com a BMW e não é de boas lembranças para a equipe, apenas oitava colocada entre os construtores.
A partir de 25 de fevereiro, na próxima semana de testes em Barcelona, a Williams deve colocar em prática seu definitivo pacote aerodinâmico, em procedimento que será realizado pela maioria das equipes. Porém, o diretor negou que haja alguma nova peça que deixará sua escuderia ainda mais próxima dos primeiros lugares.
“Penso que isto só nos manterá onde estamos. Todos têm um (novo) pacote para Melbourne (primeira prova da temporada, em 16 de março), então todos vão melhorar. Será a taxa de desenvolvimento durante o ano que decidirá quão rápidas as pessoas estão”, analisou.
Quando perguntado se acredita que a Williams esteja no grupo de ponta da Fórmula 1, ao se analisar o ritmo imposto nos treinos de inverno, Michael não fugiu do discurso comum: “Não sei onde estamos e não penso que houve algum ano na F-1 em que você realmente saiba isto antes das primeiras três ou quatro corridas”.
“Nos anos anteriores, fomos bem para a primeira prova, e depois tivemos algumas corridas ruins. Então, houve anos em que fomos à Austrália, tivemos um desastre, mas subimos o nível na Malásia e voamos. Demandam-se algumas corridas para ordenas as coisas”, continuou ele, destacando ainda que não só a Williams teve bom desempenhos nos testes.
“Olhando para as outras equipes, fiquei impressionado com (Fernando) Alonso. Ele esteve tão rápido, e parece que a Red Bull pode conseguir também. Então não posso ser tão otimista quanto à nossa velocidade. Será uma luta dura”, finalizou.
Ferrari não está tão bem como dizem, acredita De la Rosa
Piloto de testes da McLaren, Pedro de la Rosa afirmou nesta sexta-feira que não vê a Ferrari tão à frente dos rivais, como muitos têm analisado após a boa pré-temporada que a equipe italiana vem realizando. Em entrevista ao diário Marca, o espanhol não descartou também as chances de vitória para equipes como BMW e Renault.
“Pode-se dizer que Ferrari e McLaren são as favoritas, como eram no ano passado, mas, dentro de uma semana, pode ser uma outra equipe. Não descarto que BMW e Renault estejam lutando por vitórias”, afirmou De la Rosa, que ressaltou ser muito difícil entrar em detalhes já que a temporada ainda não começou – tem prova de abertura marcada para 16 de março, em Melbourne.
“Não vejo a Ferrari tão bem como é dito, nem a Renault tão longe como diz Fernando (Alonso, que vem minimizando as expectativas de sua equipe). Há muita igualdade, e isto é bom para o Mundial. Devemos ser prudentes, até a primeira classificação na Austrália não sabemos onde cada um está”, continuou.
Trabalhando na McLaren desde 2003, De la Rosa acredita que a pré-temporada da escuderia está dentro do planejado. “Segue o plano previsto. O carro está demonstrando uma confiabilidade maior que a esperada, e isto, a princípio, nos permitiu acumular muitos quilômetros. Agora, estamos buscando mais um rendimento puro”, analisou.
Perguntado sobre a existência de algo muito diferente no novo kit aerodinâmico que a McLaren prepara, o piloto negou: “No próximo teste de Barcelona (entre 25 e 27 de fevereiro) já será o carro da Austrália, e todas as equipes tentarão colocar o máximo de peças dos carros que começarão a temporada. É muito importante a semana que vem, mas já digo que não”.
Sobre o mesmo assunto, De la Rosa ainda comentou a suposta arma secreta da Renault – especula-se na imprensa holandesa um aerofólio revolucionário, em forma de W, que foi negado no decorrer da semana por integrantes da equipe. “Não descarto. A Renault tradicionalmente chega muito forte a Melbourne e ao início da temporada e poderiam ter algo que a coloque lutando por vitórias. Nunca se sabe”, opinou.